Roteiro pelas cachaçarias premiadas de Santa Catarina
Oito alambiques catarinenses com prêmios nacionais e internacionais, do pé da Serra do Rio do Rastro ao Oeste do estado. Endereços, telefones e como agendar a visita.
A cachaça passou por uma mudança de status nas últimas décadas. Deixou o lugar de bebida barata de balcão e virou item de adega, com harmonização estudada e paladar treinado para notas de madeira, fruta e cana verde. O Brasil produz mais de 1,3 bilhão de litros por ano, dos quais apenas 0,40% saem do país.
A virada simbólica é antiga. Foi na Semana de Arte Moderna de 1922 que a cachaça entrou na lista de referências nacionais ao lado do samba e da feijoada.
Santa Catarina acompanhou esse movimento com alambiques que investiram em processo artesanal e envelhecimento em madeira. Vários acabaram premiados fora do Brasil, com destaque para o Spirits Selection de 2020, realizado em Bruxelas. E como quase todos abrem para visitação, dá para montar um roteiro que cruza o estado inteiro.
Sul: Lauro Müller, Orleans e Grão-Pará
A Cafundó da Serra fica a 12 quilômetros da Serra do Rio do Rastro, na propriedade da família Godinho, e funciona desde 1989. A cachaça é 100% artesanal e foi o grande destaque brasileiro do Spirits Selection 2020. O troféu revelação que ela levou foi o único entregue a uma cachaça naquela edição. Dividiram a categoria com ela um uísque francês, um mezcal, um armagnac, um calvados, um baijiu, uma grappa, um conhaque de pera e dois runs agrícolas.
O alambique fica na Rodovia SC-390, no Arizona, em Lauro Müller. Recebe visitas individuais ou em grupo de segunda a sexta, das 7h30 às 12h e das 13h às 18h.
Em Orleans está a Cachaçaria Orben, que nasceu em 2014 depois que os donos fizeram um curso de especialização em Minas Gerais. Começou produzindo 15 mil litros por ano e chegou a 40 mil, com 10 hectares de cana própria. O carro-chefe é a Cachaça do Conde, premiada em concursos internacionais. As visitas precisam de agendamento pelo telefone (48) 99941-1729.
Grão-Pará entra no roteiro com o Engenho Borghezan, que produz aguardente, licores e outros derivados da cana de forma artesanal. O engenho virou atrativo turístico da cidade e abre ao público para mostrar as etapas de produção e oferecer degustação.
Luís Alves, a capital catarinense da cachaça
O título não é de fachada. Duas casas da cidade representam Santa Catarina no circuito internacional.
O Alambique Bylaardt começou em 1943 e está na terceira geração da família. Produz aguardentes, licores e a cachaça artesanal envelhecida em barril de carvalho. Quem visita pode comprar na hora, e a loja vende também barris de carvalho, cantis, baldes de madeira e taças. Fica na Rua Prefeito Wilibaldo Van-Den Bylaardt, 6349, bairro Braço Serafim. Agendamento pelo (47) 3377-1809.
A Destilaria Rech é ainda mais antiga: começou em 1938 e já passou por quatro gerações. São mais de 80 anos fabricando aguardente, com uma linha que inclui licores. Fica na Rua Roberto Rech, 920, no Baixo Canoas, e agenda visitas pelo (47) 3377-1936.
Vale do Itajaí: duas casas em Gaspar
A Cachaçaria Moendão tem uma história que começa em 1890, quando Pedro Schmitt Junior passou a beneficiar cana para complementar a renda da família. Deu tão certo que virou a atividade principal. O nome Moendão surgiu em 1988 e hoje a quarta geração toca o negócio.
São 11 tipos de cachaça: a natural prata, quatro douradas envelhecidas em carvalho e seis de frutas, com abacaxi, banana, coco, canela, pêssego e gengibre. A cana é cultivada sem agrotóxicos. A casa também foi premiada em Bruxelas.
A vizinha Pinoco’s Cana é pioneira no cultivo e beneficiamento da cana para caldo, e comercializa máquinas de garapa, peças e acessórios. O caldo de cana virou reposição energética natural para atletas e combina com abacaxi, limão e laranja. É o mesmo caldo que, depois do processo artesanal, vira cachaça. Fica na Rodovia Jorge Lacerda, km 20, nº 6446, bairro Poço Grande. Telefone (47) 3332-1503.
Pedra Grande: cachaça no meio do vale da uva
A Cachaçaria Imigrante tem o cenário mais improvável do roteiro. Está no coração do Vale da Uva Goethe, região de tradição vinícola, onde uma família de imigrantes italianos, os Sorato, decidiu produzir uma bebida brasileira.
O nome celebra os colonizadores que abriram o sul catarinense. A destilação acontece em alambique de cobre, e o líquido descansa em barris de carvalho ou em dornas de aço inox, quando o objetivo é preservar as características originais. A casa também esteve entre as premiadas em Bruxelas em 2020.
Oeste: Xanxerê
A Cachaça Refazenda começou em 2001, com orientação técnica da Epagri. A primeira safra foram 500 litros, feitos com cana local e com cana comprada nas barrancas do Rio Uruguai, a quase 100 quilômetros do alambique.
O que aconteceu depois é uma boa lição sobre madeira. A produção foi envelhecida em grápia, guajuvira, sassafrás, cabriúva e carvalho ao mesmo tempo, e com o passar dos anos ficou claro que o carvalho entregava a melhor cor e o melhor aroma. O canavial cresceu, chegaram barricas restauradas de carvalho escocês e a cachaça foi para o mercado em meados de 2004.
Fica na Linha Barro Preto, zona rural de Xanxerê. Telefone (49) 3433-9065 e WhatsApp (49) 98405-9262.
Blumenau também faz cachaça
Na cidade que virou sinônimo de cerveja, a Cachaçaria Xanadu envelhece cachaça artesanal por 6, 8 e até 10 anos em barris de carvalho. A destilação é em alambique de cobre, seguindo o método mineiro.
A estrutura impressiona: a sede própria ocupa mais de 1 milhão de metros quadrados de área, com 3.500 metros quadrados construídos e mais de mil barris de madeira nobre. A casa foi destaque em Bruxelas em 2020. Fica na Rua Euclides da Cunha, 1837, bairro Velha. Telefone (47) 3325-1275.
Antes de sair de casa
Quase todos esses alambiques trabalham com agendamento, principalmente os menores, onde quem recebe o visitante costuma ser o próprio dono. Vale ligar antes.
Endereços, telefones e horários acima foram levantados em novembro de 2020. Confirme antes de viajar.