Os 10 pratos da culinária da Índia
Samosa, palak paneer, thali, kulfi e mais: dez pratos que explicam a cozinha indiana, com o que leva cada um e onde encontrar.
Comer na Índia é uma atração turística por conta própria. A cozinha do país trabalha com uma ideia que vem de longe: a refeição precisa equilibrar doce, salgado, amargo, picante e azedo, e acionar visão, olfato, paladar, audição e tato ao mesmo tempo. É o mesmo princípio de harmonia que está na base do ioga.
Na prática, isso significa tempero em quantidade. Curry, canela, pimenta-preta e baunilha aparecem em quase tudo. E acima de todos está a masala, uma mistura que muda de cozinheiro para cozinheiro, mas costuma reunir cardamomo, anis, açafrão, cominho, canela, gengibre, noz, cravo, pimenta-do-reino e pimenta-branca.
Estes são dez pratos que vale conhecer antes de viajar, mais uma bebida que provavelmente você já tomou sem saber de onde vinha.
1. Samosa, o pastel indiano
A samosa é um salgado de massa frita muito parecido com o nosso pastel. A massa leva farinha de trigo, que pode ser integral, e o recheio varia bastante: lentilha, feijão, purê de batata, cebola e até fruta. Tudo bem temperado e geralmente picante.
Por ser fácil de comer andando, é um dos itens mais presentes no dia a dia indiano.
2. Palak paneer, o vegetariano mais pedido
Encontrar comida vegetariana e vegana na Índia é simples, já que boa parte da população não come carne por razão religiosa, e a vaca em especial é considerada sagrada.
Entre tantas opções, o palak paneer é o mais procurado. Leva espinafre, um queijo de textura parecida com a do queijo minas e um molho curry à base de espinafre e tomate. É um prato típico da região de Punjab. O acompanhamento indicado é arroz cozido, embora muita gente prefira comer com pão.
3. Curry de peixe, a moqueca de lá
O curry de peixe indiano tem parentesco direto com a moqueca brasileira. A versão mais tradicional leva óleo de coco e leite, e ganha a cor avermelhada da pimenta em pó.
Cada região prepara de um jeito. Se você gosta de pimenta, é uma aposta segura, porque costuma vir bem ardido.
4. Naan, o pão que serve o dia inteiro
O naan lembra o pão sírio. A massa é leve, feita com água, fermento e farinha, e funciona do café da manhã ao jantar.
Serve como acompanhamento de sopas e caldos ou como lanche rápido com recheio. Batata é o recheio mais tradicional, mas as versões com hortelã e alho são fáceis de achar e valem a pena.
5. Butter chicken, para não pesar na viagem
O frango e o peixe são as carnes mais comuns num cardápio onde carne é exceção. O butter chicken leva frango em cubos cozido no molho de tomate com manteiga ghee, uma manteiga clarificada que descarta lactose e outras toxinas do leite.
A receita completa iogurte e especiarias. É uma boa escolha para um almoço ou jantar mais leve.
6. Vada pav, o sanduíche de rua
Para quem não come nenhum ingrediente de origem animal, o vada pav resolve. É um sanduíche de pão pav recheado com um hambúrguer de batata, bem temperado, vendido em praticamente qualquer barraca de rua.
Prático para segurar a fome entre um ponto e outro do roteiro.
7. Thali, a refeição inteira num prato
A thali chega servida em folha de bananeira ou num prato circular dividido em porções: um pão típico, arroz e uma variedade de molhos e acompanhamentos.
A lógica é dar de uma vez a explosão de sabores que representa a tradição da mesa indiana. A tradição também manda comer com a mão direita.
8. Kulfi, o sorvete que demora a derreter
O kulfi nasceu no século 16 e lembra sorvete, com massa mais densa e cremosa. Justamente por essa densidade, ele derrete mais devagar que o sorvete comum, o que ajuda no calor indiano.
Os sabores mais tradicionais são creme, manga, cardamomo, açafrão e pistache.
9. Kheer, o arroz-doce indiano
O kheer leva arroz cozido, polvilho, leite e açúcar, aromatizado com cardamomo, passas, açafrão, castanha-de-caju, pistache ou amêndoas.
É pesado, então não entra no cardápio do dia a dia. Aparece em festas, templos e datas especiais. Em celebrações hindus, é praticamente obrigatório.
10. Gulab jamun, o doce que conquista brasileiro
O gulab jamun tem base de leite em pó, o que explica por que agrada tanto quem cresceu comendo brigadeiro. A receita leva leite em pó, manteiga, cardamomo em pó, leite fresco e farinha de trigo. Os bolinhos são fritos e servidos banhados em calda de água de rosas, às vezes decorados com nozes e amêndoas.
É popular em toda a Ásia do Sul, principalmente na Índia, no Sri Lanka, no Nepal, no Paquistão e em Bangladesh.
Bônus: o chai latte tem sobrenome indiano
Aquele chai latte do cardápio da cafeteria da sua rua se chama masala chai na origem. É chá-preto com leite e especiarias como canela, cardamomo, gengibre, anis e cravo.
A história tem uma reviravolta interessante. No começo, o masala chai era só as especiarias, servido quente ou frio como remédio. O chá-preto só entrou na receita em 1853, quando a colonização inglesa criou plantações em Assam. Como a folha era cara, os locais passaram a esticar a bebida com leite e algum adoçante. Foi essa versão econômica que virou febre mundial.